segunda-feira, 16 de março de 2009

Deutsch: Warum nicht?*

*Alemão: Por que não?

Comecei a estudar a língua alemã em janeiro de 2008 e me apaixonei. É comum as pessoas me perguntarem por que decidi aprender este idioma. Semana passada, numa das minhas viagens de ônibus por Cuiabá, uma senhora observou a gramática de alemão no meu colo e comentou: "Deve ser uma língua bem difícil, né?!". Ela não está errada. No fundo, acho que a dificuldade é uma das minhas maiores motivações.
O alemão é uma das línguas indo-européias do grupo dos idiomas germânicos. É falado principalmente na Alemanha, Áustria e Suíça. Para explicar a complexidade desta língua costumo usar um exemplo simples. Enquanto no português "o carro" é sempre "o carro" e "a casa" é sempre "a casa", no alemão os artigos mudam de acordo com os casos gramaticais, que são quatro: nominativo, acusativo, dativo e genitivo. Estas palavras tiram o sono de qualquer estudante do idioma. E tem mais: os substantivos, adjetivos e pronomes sofrem declinações de acordo com cada um dos casos gramaticais citados.
Mas o meu interesse por este idioma singular tem suas raízes na cultura alemã. Tudo começou com Hesse, Goethe, Freud, Nietzsche, Georg Büchner e Schopenhauer. Depois vieram Jung, Weber, Mozart, Wagner, Bach e Beethoven. Sim! Não resisti à música clássica. E ainda há muitos outros nomes da cultura alemã que eu preciso conhecer melhor.


Portão de Brandemburgo, um dos principais monumentos de Berlim.


Uma das maiores empresas de comunicação da Alemanha é a Deutsche Welle, proprietária de emissoras de rádio, televisão e do DW-WORLD, um portal jornalístico online que oferece conteúdo em 30 idiomas. Este site promove um trabalho muito interessante de divulgação da cultura alemã. Nele há, por exemplo, um especial chamado As muitas faces de Beethoven, com informações e materiais sobre o músico, inclusive adaptações do maestro alemão Kurt Masur para as sinfonias 3, 5, 7 e 8. Faço questão de falar desse especial porque Ludwig van Beethoven foi uma das minhas mais gratas descobertas. Enfim, é uma boa oportunidade para os interessados em conhecer verdadeiras obras-primas da música mundial.
Falar sobre Beethoven me fez lembrar a série Peanuts, estrelada por Charlie Brown e Snoopy. O cartunista Charles Schulz, criador da série, era filho de mãe americana e pai alemão. A influência e o gosto pela cultura alemã podem ser percebidas no personagem Schroeder, que toca piano e é obcecado por ninguém mais ninguém menos que Beethoven.

Schroeder: lindo, lindo.


No campo da filosofia, acredito que Arthur Schopenhauer foi inovador. Nascido em 1788, ele introduziu o budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã e influenciou diretamente as obras de Friedrich Nietzsche. A editora L&PM publicou no Brasil um livro chamado "A arte de escrever", que reúne artigos de Schopenhauer sobre o ofício da escrita e a prática da leitura. Esta obra traz opiniões ácidas inclusive sobre o mercado editorial que, para o autor, publica poucas coisas que merecem ser lidas. Se no século XIX já era assim, imaginem nos dias de hoje.
A ficção científica alemã também merece atenção especial. A série Perry Rhodan, por exemplo, começou a ser publicada em 1961 e apresenta em muitos de seus volumes uma metáfora do domínio norte-americana sobre os demais países, especialmente no que diz respeito ao período da Guerra Fria. Escritos por diversos autores, entre eles Clark Darlton, os livros relatam as aventuras de Perry, o administrador e protetor do império solar. Clique aqui para baixar os livros da série. Vale lembrar que também é muito fácil encontrá-los nos sebos, até mesmo nos de Cuiabá.

A terceira potência: um dos volumes publicados no Brasil.


Outra obra-prima alemã é a peça teatral Woyzeck, escrita por Georg Büchner, que viveu entre 1813 e 1837. Isso mesmo. Apenas 24 anos de existência foram suficientes para que ele se tornasse um dos principais nomes do romantismo alemão. Büchner se inspirou em um fato real para escrever a peça: um ex-soldado que foi decapitado em 1824 por ter matado a amante. O escritor alemão decidiu usar o teatro para contar a trajetória de Franz Woyzeck, o ex-soldado.
Esta peça foi uma das minhas portas para a literatura alemã. Como a conheci? Após ler uma matéria (não me lembro onde) sobre Woyzeck desmembrado, peça apresentada em várias cidades brasileiras no ano de 2003 e estrelada por Matheus Nachtergaele. Uma das coisas que mais chamou a minha atenção na adaptação do roteirista Fernando Bonassi foi a idéia de determinar a ordem das cenas por sorteio. Bárbaro, porque fez com que cada apresentação se tornasse uma obra diferente, única. Em Woyzeck desmembrado Franz trabalha em uma olaria chamada Brasil.
No página Site de Literatura, Paulo Avelino resume Woyzeck assim:

"Um menino perde os pais e se torna ajudante de um fabricante de perucas. Não se firma no emprego e para escapar à fome entra para o exército. Passa doze anos pontuados por detenções por indisciplina. É dispensado. Arruma uma amante, que tem outros homens. Desempregado, pede esmolas e dorme ao relento. Um dia, numa crise de ciúmes, mata a amante. É a história de Woyzeck. Um ex-soldado decapitado por ter matado uma mulher. Um laudo referente a sua sanidade foi parar na biblioteca de um certo senhor, cujo filho era estudante de Medicina. O rapaz, Georg, escrevia peças e ficou impressionado com a história".

Os textos e temáticas abordadas por Büchner lembram Bertolt Brecht, escritor alemão contemporâneo.
As versões de Woyzeck em ebook não estão completas, por isso vale mais a pena procurar em bibliotecas ou adquirir um volume. No site Estante Virtual há edições com preços bastante em conta.




Trailer de Woyzeck, o filme (1978): do diretor alemão Werner Herzog.


Depois de tudo isso fica mais fácil compreender por que escolhi o alemão. Também queria ter falado mais sobre Johann Wolfgang Goethe, Hermann Hesse e Bertolt Brecht, mas acho que eles merece um texto especial, só deles.

Vielen Danke! (Muito obrigada!)

4 comentários:

  1. Quanta saudade Lara!!! Depois entro com mais tempo para poder ler melhor!!! BjoS!

    ResponderExcluir
  2. Adorei Larissa!

    Sou também uma admiradora da cultura alemã e pretendo estudar esse idioma. Será que consigo?!

    bjoca
    some não.

    ResponderExcluir
  3. Sobre a série Perry Rhodan, todos podem facilmente encontrar com centenas de leitores da série na comunidade no Orkut: PERRY RHODAN BRASIL, onde trocam informações e participam de debates de ações em prol da série.
    Atá lá...

    ResponderExcluir