domingo, 5 de abril de 2009

Watchmen, o filme: Impressões.


O filme Watchmen chegou aos cinemas no dia 06 de março deste ano. Meu plano "A" era assistir o filme na sessão de pré-estreia, mas o excesso de compromissos arruinou os meus planos. Já meio descontente, só fui conferir o longa do diretor Zack Snyder no dia 17 de março. Desejei escrever sobre ele imediatamente, no entanto, preciso confessar: saí do cinema sem um idéia certa sobre Watchmen, com a necessidade de pensar melhor em tudo o que tinha assistido. De cara, uma coisa eu já sabia: não seria nada fácil adaptar para as telonas uma história em quadrinhos tão complexa.
A minha expectativa era grande porque já tinha lido a obra escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons. Acredito que no contexto cinematográfico atual, ninguém além de Zack Snyder poderia "peitar" um desafio como este. E desde o começo confiei bastante no talento do diretor, que ficou conhecido por dirigir outra adaptação de um clássico dos quadrinhos, "300", de Frank Miller. A complexidade filosófica de Watchmen e a sobreposição de histórias seriam, certamente, um desafio para qualquer pessoa que decidisse adaptar a HQ.
O filme tem começo, meio e fim bastante nítidos, é "redondo" e compreensível para aqueles que não tiveram contato com a obra literária. Mas, como é de se esperar em uma adaptação, muitas coisas ficaram de fora e outras foram modificadas para caber nos padrões de uma produção de massa. No filme, Rorschach passa, gradativamente, de personagem central à coadjuvante, ofuscado pelo brilho excessivo do Dr. Manhattan e do casal Daniel e Laurie. Para não complicar, Snyder preferiu nem fazer referência aos "Contos do cargueiro negro", uma das histórias paralelas de Watchmen. Esta foi a atitude mais acertada do diretor, caso contrário, a qualidade do filme ficaria ainda mais comprometida ou, quem sabe, ele nem chegaria aos cinemas.

Daniel e Laurie nos cinemas: explorar o romance para atrair o público

Mais do que assistir o filme, vale muito a pena ler os 12 volumes de Watchmen. Eles foram publicados pela editora DC Comics entre 1986 e 1987 e permitem ricas reflexões sobre o contexto histórico e social vivido naquela época. Watchmen retrata o clima de insegurança que marcou o período da Guerra Fria e, de certa forma, se estendeu aos dias de hoje. A ação ineficiente do Estado no combate à violência leva ao surgimento de grupos de heróis que tomam para si a tarefa de defender a sociedade. Depois de algum tempo, a ação desses vigilantes é colocada em "xeque" pela população, que não se cansa de perguntar: "Quem vigia os vigilantes?". A hostilização dos mascarados deixa o caminho livre para os planos de Adrian Veidt, um bandido com intenções de mocinho.
O terceiro volume da série, intitulado O juiz de toda Terra, é um dos meus preferidos. Nele, os diálogos trazem críticas à indústria da informação e à postura das pessoas diante daquilo que chega às bancas ou à tela da TV. Neste capítulo, o jornaleiro, que aparece várias vezes no decorrer da história, diz: "Sabe, eu leio tudo quanto é primeira página. Eu absorvo informação, não perco nada". Este mesmo jornaleiro diz, pouco antes, que é bem informado. Em meio a um verdadeiro bombardeamento de informações, quem realmente está bem informado?
Quem estiver interessado em conhecer mais sobre as obras pode clicar aqui e baixar os 12 volumes da série. Ler as criações de Alan Moore é um exercício de reflexão e criticidade, além de ser uma aula sobre roteiros que impressionam e, definitivamente, "amarram" o leitor. Um dos pontos fortes da narrativa de Moore em Watchmen é o detalhamento da estrutura psicológica dos personagens, especialmente de Rorschach. Essa estrutura foi muito bem captada pelo ator Jackie Earle Haley, a personificação de Rorschach nas telonas. O ator foi responsável, sem dúvida, pela melhor atuação do filme.

Rorschach: quando a máscara se transforma em rosto

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