quinta-feira, 16 de julho de 2009

A crise da água e a luta contra o desperdício - Primeira Parte



Cuiabá está entre as capitais brasileiras que mais jogam água fora. Combater o desperdício de água se tornou uma necessidade para garantir a vida no planeta.

Larissa Cavalcante


As previsões não são animadoras. Segundo a ONU, mesmo que todas as metas de desenvolvimento sejam atingidas, continuarão a existir mais de 800 milhões de pessoas sem água em 2015. Esta parcela significativa da população mundial não terá ao menos 20 litros de água potável por dia para satisfazer suas necessidades. Diante deste quadro, o combate ao desperdício se tornou fundamental para garantir qualidade de vida no futuro.

Muitos litros d’água se perdem antes mesmo de chegar às torneiras. De acordo com um estudo realizado em 2007 pela ONG Instituto Socioambiental (ISA), Cuiabá ocupa a sexta posição entre as capitais brasileiras que mais desperdiçam água. Dos mananciais às torneiras, a perda chega a 65,4%, o que corresponde a 144 mil litros em um dia.




O estudo também aponta as principais causas do desperdício: vazamentos, submedições e fraudes. Estes fatores fazem com que o Brasil seja um dos países que mais joga água limpa fora, mais de 6 bilhões de litros todos os dias. A pesquisa do ISA foi desenvolvida com base em dados de 2004, fornecidos pelas concessionárias que prestam serviços para o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades.

Até 1998, os serviços de saneamento básico no Estado eram desempenhados pela Companhia de Saneamento do Estado de Mato Grosso - Sanemat. Quando esta empresa estatal foi fechada, os serviços de saneamento passaram às mãos dos municípios. De acordo com o superintendente de recursos hídricos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Luiz Henrique Magalhães Noquelli, estipular o índice de desperdício no estado não é uma tarefa fácil, porque exige uma pesquisa aprofundada em cada cidade.

Noquelli acredita que o desperdício de água nas capitais tenha diminuído, por causa das ações do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Lançado em 2007, o programa vai investir mais de R$ 500 bilhões em infra-estrutura, o que inclui os serviços de saneamento e recursos hídricos. O PAC prevê investimento total de quase R$ 250 milhões para Cuiabá, sendo que R$ 120 milhões devem ser aplicados em saneamento básico: abastecimento de água, tratamento de esgoto e habitação.

O governo federal criou em 2000 a Agência Nacional de Águas (ANA), para implementar uma política nacional de recursos hídricos. Esta política foi instituída pela lei nº 9.433, de 1997. Neste mesmo ano, Mato Grosso criou o Plano Estadual de Recursos Hídricos, um instrumento para gestão da água no Estado. Um dos objetivos do plano é a criação de projetos para proteção, recuperação e gerenciamento dos recursos hídricos.

O Plano Estadual pretende possibilitar uma gestão participativa e descentralizada, que permita o envolvimento da sociedade. As pessoas podem criar os chamados Comitês de Bacia, para participar das decisões e acompanhar de perto o destino da água que sai dos rios.

Segundo Noquelli, a criação dos comitês ainda é um projeto incipiente em Mato Grosso. Ele explica que, legalmente, a Sema não pode criar os comitês, apenas fomentá-los. Portanto, eles devem nascer da vontade da população. “A mobilização ainda é pequena. Por enquanto, só existe um comitê no estado. Os problemas de falta d’água no estado são raros, por isso, tem sido mais difícil chamar a atenção das pessoas”, disse o superintendente.

Fica em Primavera do Leste o único comitê do Estado, que articula ações para proteger a bacia do Tocantins-Araguaia. O grupo se formou devido a um conflito pelo uso dos recursos hídricos na região. Algumas pessoas enfrentavam problemas de falta d’água por causa do volume utilizado para irrigar as plantações de soja e algodão. A população resolveu unir esforços para solucionar a questão. E conseguiu. Foram estipulados, inclusive, horários de uso para cada agricultor.

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