terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pequenos novelos de lã.


Os sonhos devem ser um presente de Deus. Rita não tinha dúvida disso, especialmente naquela manhã quente de agosto. Ela acordou ofegante, depois de um sonho longo e colorido. O gosto do chá de maçã ainda estava na boca e o vento cortante do inverno não deixava seus cabelos em paz. "Parecia tão real", pensou Rita, certa de que aquele não era um sonho qualquer. Era uma viagem ao passado.
De repente, estava na casa da avó, uma casa multicolorida e aconchegante. Da janela da sala de jantar dava para ver os pássaros brincarem na grama do quintal. O cheiro de maçã se espalhava pelo ar. "Vovó deve estar preparando um chá". Não via a hora de abraçar a avó, olhar bem dentro daqueles olhos verdes que só falavam de paz, tirar os sapatos e escutar o estalar do chão de madeira.
"Rita, traga os meus pequenos novelos de lã", disse uma voz distante. Mas de onde vinha aquela voz? Onde estariam os tais novelos? Não os encontrou, embora tenha procurado em todos os cantos. Não havia novelos, assim como não havia mais avó. Mas o sonho era tão real. Belo presente de Deus.

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