quinta-feira, 25 de março de 2010

Jornalismo ambiental e agronegócio


Esta postagem já devia ter saído do forno na semana passada, quando aconteceu o 3º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, mas outros compromissos me impediram de escrever antes. O evento começou no dia 18 de março e foi nesse mesmo dia que participei de uma oficina com Wilson da Costa Bueno. Professor aposentado pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Metodista da São Paulo (UMESP), ele é um dos grandes nomes do jornalismo científico no Brasil.

O tema da oficina realizada pelo professor Wilson foi "Jornalismo e Agronegócio". Ele fez questão de começar a atividade com algumas explicações sobre as atuais consequências do agronegócio no Brasil. Controle e monopólio dos recursos para a produção, degradação ambiental, uso intensivo de agrotóxicos, apropriação da água doce e destruição da biodiversidade são algumas dessas consequências.

Professor Wilson da Costa Bueno


Diante de práticas tão prejudiciais à sociedade, o Brasil só tem modificado suas ações a partir de restrições e embargos impostos por outros países. Neste aspecto, Wilson acredita que o jornalismo ambiental precisa ser estimulado a mostrar a realidade e conscientizar a população. Pessoas mais conscientes tornam-se também mais exigentes, especialmente com aquilo que consomem. E esta exigência pode forçar as empresas a buscar ações que tenham menos impacto negativo para a sociedade.

Wilson também lembrou que as fontes do jornalismo ambiental têm sido, geralmente, pesquisadores e empresários. "É preciso ouvir as pessoas comuns e valorizar o conhecimento tradicional", disse o professor. Para ele, essa é uma maneira de recuperar o papel social da mídia.

Durante a oficina, Wilson da Costa Bueno indicou um documentário, "O mundo segundo a Monsanto", que denuncia uma das maiores produtoras de transgênicos do mundo. O documentário foi produzido pela jornalista francesa Marie-Monique Robin.

domingo, 21 de março de 2010

Tesouros tradicionais*


Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

O som metálico dos sinos que flui pelas ruas de certas cidades históricas de Minas Gerais é, na verdade, uma linguagem, com função religiosa e social. E os toques variados são agora patrimônio cultural imaterial brasileiro, aprovado, no fim de 2009, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural (Iphan). "O toque dos sinos é o regsitro de uma cultura, e mostra que práticas do cotidiano - valores, tradições, costumes - podem ser vistas como bens do país", diz Márcia Santana, diretora do Iphan. Uma pesquisa constatou que os sinos estão sendo substituídos por instrumentos eletrônicos, por causa do custo de manutenção e da necessidade de pessoal para tocá-los em diferentes momentos da liturgia. Também preocupa a quantidade de sinos rachados, sem badalo ou sem local apropriado para ser instalados, o que serviu de justificativa para a proteção.

Os patrimônios imateriais do Brasil

1 - Paneleiras de goiabeiras (ES)
2 - Grafismo dos índios wajãpis (AP)
3 - Círio de Nazaré (PA)
4 - Samba de roda do Recôncavo (BA)
5 - Viola de cocho (MT/ MS)
6 - Baianas de acarajé (BA)
7 - Jongo do Sudeste
8 - Cachoeira de Iauaretê, sagrada para os índios do alto rio Negro (AM)
9 - Feira de Caruaru (PE)
10 - Frevo (PE)
11 - Tambor de crioula (MA)
12 - Samba no Rio de Janeiro
13 - Manufatura dos queijos das serras da Canastra e do Salitre (MG)
14 - Roda de capoeira (BA)
15 - Renda irlandesa de Divina Pastora (SE)
16 - Toque dos sinos (MG)


*Texto publicado na edição de março de 2010 da revista National Geographic Brasil.


A nossa viola de cocho também está entre os patrimônios imateriais do Brasil.

domingo, 14 de março de 2010

3º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental


Começa na próxima quinta-feira, dia 18 de março, o 3º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, em Cuiabá/ MT. Para conferir a programação do evento, basta acessar www.cbja2010.org.br. Um dos palestrantes será Wilson da Costa Bueno, professor de jornalismo da UMESP. A senadora Marina Silva também confirmou presença no Congresso.

Sobre sentimentos.


Sim, hoje vou escrever sobre sentimentos, e a razão para isso é muito simples: os bons sentimentos andam meio esquecidos. Diante de tantos compromissos, costumamos deixar pra depois as oportunidades de ter uma conversa agradável, dar um abraço ou, simplesmente, dizer um "oi". Temos deixado pra depois a chance de cultivar boas amizades e ser feliz.
Livrarias são ótimos lugares para se esperar por alguém. Entre um livro e outro, o tempo parece correr e a espera torna-se menos angustiante. E foi num desses momentos de espera que descobri um livro diferente dos que costumo ler. Olhei para a capa onde estava escrito "O amor companheiro - A amizade dentro e fora do casamento" e fiquei curiosa. À princípio, pensei: "Todo amor é companheiro, né?!". Bastou ler algumas páginas do livro para perceber que não é bem assim. Decidi comprar o livro.
Em outros tempos, acho que jamais o compraria, mas deixar os preconceitos de lado é uma prática bastante útil. Quantas coisas deixamos de conhecer por puro preconceito? E acreditem: "O amor companheiro"  tem me surpreeendido. Escrito pelo médico e psicanalista Francisco Daudt da Veiga, o livro mostra como a amizade verdadeira é fundamental para uma vida feliz. Daudt também aborda as práticas que atrapalham o fortalecimento dos laços de amizade, inclusive nos relacionamentos amorosos.


Francisco Daudt conheceu a expressão "amor companheiro" no livro "Como a mente funciona", do psicólogo e linguista Steve Pinker. A explicação de Pinker é tão interessante que acho melhor citá-la:

"O amor companheiro, a emoção por trás de uma sólida amizade e do duradouro vínculo afetivo do casamento (o amor que não é romântico nem sexual), tem uma psicologia própria. Amigos ou cônjuges sentem-se como se estivessem em dívida um para com o outro, mas essas dívidas não são contabilizadas, e saldá-las não é um peso e sim profundamente gratificante. Obviamente os favores podem ser catalogados em alguma parte da mente, e se o livro-caixa se mostra muito desequilibrado a pessoa pode terminar a amizade. Mas a linha de crédito é longa, e os termos de quitação, complacentes."

Para Daudt, quando Pinker fala em livro-caixa e contabilidade dentro do amor companheiro, ele se refere a uma grande realidade sobre a natureza humana: estamos sempre avaliando o que damos e o que recebemos. "É o que Pinker chama de altruísmo recíproco", segundo o psicanalista. "Altruísmo" porque muitas vezes nos deixamos de lado para agradar o outro e "recíproco" porque necessitamos de agrado também. Parece óbvio, né?! Mas por que temos tanta dificuldade de colocar isso em prática? Perguntas, perguntas e mais perguntas...
Entre as dicas de Francisco Daudt para construir um amor companheiro (seja em um relacionamento amoroso, familiar ou com os amigos) está a capacidade de voltar a um ponto de partida para descobrir "onde foi que algo enguiçou". Também é importante respeitar as mutações a que todos estão sujeitos e cultivar a "casca fina", ou seja, ser como as crianças, que "se encantam e se deslumbram, se emocionam e amam com facilidade".