domingo, 14 de março de 2010

Sobre sentimentos.


Sim, hoje vou escrever sobre sentimentos, e a razão para isso é muito simples: os bons sentimentos andam meio esquecidos. Diante de tantos compromissos, costumamos deixar pra depois as oportunidades de ter uma conversa agradável, dar um abraço ou, simplesmente, dizer um "oi". Temos deixado pra depois a chance de cultivar boas amizades e ser feliz.
Livrarias são ótimos lugares para se esperar por alguém. Entre um livro e outro, o tempo parece correr e a espera torna-se menos angustiante. E foi num desses momentos de espera que descobri um livro diferente dos que costumo ler. Olhei para a capa onde estava escrito "O amor companheiro - A amizade dentro e fora do casamento" e fiquei curiosa. À princípio, pensei: "Todo amor é companheiro, né?!". Bastou ler algumas páginas do livro para perceber que não é bem assim. Decidi comprar o livro.
Em outros tempos, acho que jamais o compraria, mas deixar os preconceitos de lado é uma prática bastante útil. Quantas coisas deixamos de conhecer por puro preconceito? E acreditem: "O amor companheiro"  tem me surpreeendido. Escrito pelo médico e psicanalista Francisco Daudt da Veiga, o livro mostra como a amizade verdadeira é fundamental para uma vida feliz. Daudt também aborda as práticas que atrapalham o fortalecimento dos laços de amizade, inclusive nos relacionamentos amorosos.


Francisco Daudt conheceu a expressão "amor companheiro" no livro "Como a mente funciona", do psicólogo e linguista Steve Pinker. A explicação de Pinker é tão interessante que acho melhor citá-la:

"O amor companheiro, a emoção por trás de uma sólida amizade e do duradouro vínculo afetivo do casamento (o amor que não é romântico nem sexual), tem uma psicologia própria. Amigos ou cônjuges sentem-se como se estivessem em dívida um para com o outro, mas essas dívidas não são contabilizadas, e saldá-las não é um peso e sim profundamente gratificante. Obviamente os favores podem ser catalogados em alguma parte da mente, e se o livro-caixa se mostra muito desequilibrado a pessoa pode terminar a amizade. Mas a linha de crédito é longa, e os termos de quitação, complacentes."

Para Daudt, quando Pinker fala em livro-caixa e contabilidade dentro do amor companheiro, ele se refere a uma grande realidade sobre a natureza humana: estamos sempre avaliando o que damos e o que recebemos. "É o que Pinker chama de altruísmo recíproco", segundo o psicanalista. "Altruísmo" porque muitas vezes nos deixamos de lado para agradar o outro e "recíproco" porque necessitamos de agrado também. Parece óbvio, né?! Mas por que temos tanta dificuldade de colocar isso em prática? Perguntas, perguntas e mais perguntas...
Entre as dicas de Francisco Daudt para construir um amor companheiro (seja em um relacionamento amoroso, familiar ou com os amigos) está a capacidade de voltar a um ponto de partida para descobrir "onde foi que algo enguiçou". Também é importante respeitar as mutações a que todos estão sujeitos e cultivar a "casca fina", ou seja, ser como as crianças, que "se encantam e se deslumbram, se emocionam e amam com facilidade".

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