domingo, 4 de julho de 2010

Noturno.

Há noites em que o sono demora a chegar e o passar das horas insiste em lembrar que amanhã é um novo dia, que os compromissos e responsabilidades logo estarão de volta. Sabe quando a madrugada desperta ainda mais os sentidos e a vontade de fazer mil e uma coisas? Há noites em que temos vontade de ler um livro inteiro ou quem sabe escrever um livro do começo ao fim. O corpo quer descansar, mas a cabeça não para. Henriqueta Lisboa soube descrever muito bem essa sensação:

Noturno*

Meu pensamento em febre
é uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.

Meus desejos irrequietos,
à hora em que não há socorro,

dançam livres como libélulas
em redor do fogo.

*Publicado em 1941.

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