sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Trânsito: as cidades e o caos.

Era 18 horas de uma sexta-feira de muito calor em Cuiabá. Eu estava na avenida  Getúlio Vargas, bem no centro da cidade, e precisava seguir para a região do CPA. Antes de entrar no carro, tentei mentalizar qual seria o melhor caminho a escolher para chegar o quanto antes ao local desejado. Na verdade, o que eu mais queria era fugir dos congestionamentos mas, devido ao horário de pico, sabia que seria difícil. Optei por pegar a avenida  Marechal Deodoro, com a intenção de passar pela Rodoviária, entrar no bairro Alvorada e sair na avenida do CPA. Mas assim que entrei na Marechal Deodoro, percebi que havia escolhido o caminho errado: mais um congestionamento pela frente!

Como todos sabemos, este problema não é uma exclusividade dos cuiabanos e, em alguns lugares, a situação é bem mais grave. Acabo de ler no Estadão que uma pesquisa do Ibope, feita a pedido do Movimento Nossa São Paulo, mostrou que os paulistanos perdem, em média, 27 dias por ano no trânsito da cidade. Segundo o levantamento, o tempo médio gasto pelos cidadãos para realizar os deslocamentos diários é de 2 horas e 42 minutos, tanto para os que usam carro próprio quanto para quem utiliza o transporte público.

O engenheiro e consultor de trânsito Horário Figueira, entrevistado pelo Estadão, afirmou que a criação de faixas exclusivas para ônibus é uma alternativa barata para diminuir os congestionamentos e tornar o transporte coletivo mais eficaz. Outro fator citado são as ciclovias. Apenas 3% dos entrevistados disseram utilizar as bicicletas diariamente, mas 68% mostraram disposição para utilizá-las caso existissem ciclovias seguras.

Comprar um carro não é tão difícil nos dias de hoje. Há muitas facilidades, inclusive os financiamentos tão divulgados pelos bancos. Diante disso, adquirir um veículo é um dos sonhos de muitos brasileiros que, sem perceber, contribuem para entopir as cidades e deixá-las cada vez mais caóticas. Enquanto isso, faixas exclusivas para ônibus, ciclovias e os próprios metrôs, alternativas para amenizar o caos, mal são discutidas e não saem do papel.

Mas há uma esperança. Cuiabá e outras 11 cidades brasileiras foram escolhidas para sediar a Copa do Mundo de 2014 e, por isso, deverão passar por obras de mobilidade urbana. Estas obras serão pagas pelos governos estaduais, por meio de um financiamento da Caixa Econômica Federal. Procuro não ser pessimista e confesso que estou curiosa para ver como estará Cuiabá em 2014.

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