quarta-feira, 18 de abril de 2012

Asterios.


Meu noivo me emprestou Asterios Polyp, de David Mazzucchelli. Demorei um pouco para começar a ler, mas depois que comecei não conseguia mais parar. O primeiro ponto que chamou a minha atenção no livro foi a estrutura da narrativa, que mescla os fatos presentes, passados e espécies de alucinações para contar a história de Asterios, aquele tipo de personagem que você dificilmente esquecerá.

Asterios Polyp tem características bem particulares. Está longe de ser uma história em quadrinhos igual a tantas outras. As cores predominantes mudam de acordo com as fases da vida de Asterios e fazem uma bonita variação entre o amarelo, o azul, o roxo e o rosa. O formato dos balões é diferente para cada personagem e Mazzucchelli utiliza os mais variados recursos visuais para contar essa grande história.

Além das questões estéticas, a HQ possui uma narrativa envolvente, com direito a muitas reflexões filosóficas, que nos ajudam a compreender melhor o mundo de Asterios. Sem causar nenhum prejuízo a quem ainda não leu a obra e pretende fazê-lo, Asterios é um arquiteto de 50 anos, professor renomado de uma universidade em Ithaca (EUA) e solitário, que mora sozinho desde que sua esposa, Hana, o deixou.

Certo dia, o prédio em que Asterios morava é atingido por um raio, que provocou um terrível incêndio. Com a casa destruída, ele usa o último dinheiro que tinha para comprar uma passagem de ônibus para qualquer lugar. Assim, Asterios chega a Apogee, onde conhece Stiff Major, dono de uma oficina mecânica. Sem nunca ter consertado um carro na vida, nosso personagem torna-se funcionário da oficina e vai morar na casa de Stiff.

No período em que Asterios está em Apogee, ele precisa reaprender a viver, afinal, já não é mais o renomado professor, um tanto arrogante e orgulhoso, mas alguém que não tem mais nada e precisa recomeçar. A vida em Apogee, na companhia da família de Stiff, é para Asterios sua grande oportunidade de aprendizado. Ele aproveita esse momento para refletir sobre sua vida e alguns fantasmas, como a morte do irmão gêmeo, Ignazio, e a relação com Hana.

Asterios Polyp propõe uma interessante reflexão sobre as mudanças que acontecem na vida e como determinados fatos podem mudar totalmente o rumo das coisas. As mudanças, no entanto, por pior que sejam e por mais sofrimento que provoquem, geralmente são acompanhadas por aprendizado e amadurecimento. Esta foi, para mim, a principal lição de Asterios Polyp.

Como não poderia ser diferente, este post é dedicado a Járede Oliver, meu noivo, que me apresentou Asterios Polyp.

 
*Asterios Polyp já está à venda nas livrarias brasileiras e foi publicado pela editora Companhia das Letras. O livro integra a coleção Quadrinhos na Cia.



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