quinta-feira, 28 de junho de 2012

A lição do Kubrusly.

O jornalista Maurício Kubrusly esteve em Cuiabá esta semana, para participar de mais uma edição do projeto "Sempre um papo". Como o próprio nome já diz, o projeto não promove palestras, mas bate papos com personalidades da literatura brasileira. O evento permite uma participação bem legal do público, que pode levantar a mão e fazer perguntas quando quiser. Além de ser conhecido por suas reportagens no Fantástico, Maurício tem dois livros publicados: "Me leva, Brasil" e "Me leva, Mundão".

Em Cuiabá, o jornalista falou basicamente sobre casos que presenciou durante suas viagens a outros países e que estão no livro "Me leva, Mundão". Um dos casos que mais gostei foi o "casamente polonês". Maurício teve a oportunidade de participar de um casamento tradicional na Polônia. Em um determinado momento da festa, as famílias da noiva e do noivo surgem com dois sacos, que logo são jogados para cima.

Deles caem muitas moedas, que se espalham pelo local. Então, noiva e noivo jogam-se no chão, à procura das moedas, com a intenção de juntar a maior quantidade possível. Ao final da "brincadeira", as famílias contam quantas moedas cada um conseguiu reunir. Aí vem a surpresa: aquele que juntou a maior quantidade será o responsável por administrar o dinheiro do casal (enquanto o casamento durar). Não tem choro, nem vela!

Maurício é um  jornalista de humor duvidoso (entenda como quiser), conhecido pelas reportagens irreverentes, que buscam mostrar o inusitado. Mas além dos casos bizarros que permeiam sua vasta experiência como repórter, ele deixou uma lição interessante no "Sempre um papo": é muito importante sair da rotina! Deixo vocês com esta frase do Maurício, que resume bem:


As pessoas se acostumam a fazer sempre as mesmas coisas. Acordam, escovam os dentes e fazem o mesmo caminho até o trabalho. Na vida, é importante sair da rotina, mudar as coisas, fazer ao contrário. O que procuro mostrar nos livros e nas reportagens são justamente as histórias de pessoas que resolveram mudar, fazer diferente. Sempre há possibilidade de fazer um outro caminho. (M. K.)
Sempre um papo com Maurício Kubrusly.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Projeto "Sempre um papo" em Cuiabá


O projeto “Sempre um papo” estará em Cuiabá na próxima terça-feira (dia 26) e vai proporcionar ao público da capital mato-grossense uma palestra com o jornalista e escritor Maurício Kubrusly, que há anos atua no programa Fantástico, da Rede Globo. O evento é patrocinado pela Cemat, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e será realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT), na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA), às 19h30. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente uma hora antes do evento.

Em sua palestra, Maurício Kubrusly falará sobre “Histórias e causos do Brasil e deste Mundão”, inspirado nas histórias que conheceu nas viagens como repórter pelo Brasil e pelo mundo. Muitas dessas histórias estão nos livros escritos por Kubrusly, “Me leva, Brasil” e “Me leva, Mundão”, que serão vendidos no dia da palestra e autografados pelo autor.

Criado em 1986, o projeto “Sempre um papo” promove encontros entre grandes nomes da literatura e personalidades nacionais e internacionais com o público, em auditórios e teatros. Durante seus 26 anos de existência, o projeto já realizou mais de 4,5 mil eventos por todo o país e também no exterior. Por traz dessa iniciativa está a Associação Cultural Sempre um Papo, criada para contribuir com o desenvolvimento de políticas de incentivo ao hábito da leitura.

Para conhecer mais sobre o “Sempre um papo”, basta acessar o site do projeto. Algumas palestras são exibidas pela TV Câmara, aos sábados (19 horas) e aos domingos (16 horas). Mais de 300 programas já foram gravados e estão disponíveis no canal do projeto no Youtube.


terça-feira, 19 de junho de 2012

Chico e o livro que eu não terminei de ler.


Ontem foi aniversário de Chico Buarque, grande nome da música e da literatura brasileira. Como artista, Chico falou das mulheres, do amor, mas também usou suas obras para falar da realidade social e política do Brasil. Cresci ouvindo Chico, um dos músicos preferidos da minha mãe. Mais tarde, veio a vontade de conhecer também o "Chico escritor".

Não é novidade para ninguém que as obras literárias de Chico Buarque provocam controvérsias. Uns amam, outros odeiam. E, apesar de me considerar fã do Chico, vou confessar a vocês uma decepção que tive ano passado. Estava doida para ler "Leite derramado", a obra mais recente dele, e fiquei super feliz quando ganhei o livro. Comecei a ler praticamente na mesma hora.

Li as primeiras páginas e não gostei do que encontrei. Achei repetitivo e a história não me prendeu. Insistente, resolvi dar mais uma chance à obra, afinal, ela havia acabado de ganhar um Prêmio Jabuti e isso não deveria ser à tôa. Já havia lido metade do livro quando tomei uma decisão que não é do meu agrado: resolvi deixá-lo de lado. Quando começo a ler um livro, gosto de ir até o fim, mas não foi assim com "Leite derramado". Preferi não forçar a barra.

A professora Leyla Perrone-Moisés descreveu o livro assim:

Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos. A visão que o autor nos oferece da sociedade brasileira é extremamente pessimista: compadrios, preconceitos de classe e de raça, machismo, oportunismo, corrupção, destruição da natureza, delinquência.

A saga familiar marcada pela decadência é um gênero consagrado no romance ocidental moderno. A primeira originalidade deste livro, com relação ao gênero, é sua brevidade. As sagas familiares são geralmente espraiadas em vários volumes; aqui, ela se concentra em 200 páginas. Outra originalidade é sua estrutura narrativa. A ordem lógica e cronológica habitual do gênero é embaralhada, por se tratar de uma memória desfalecente, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada.
Como você pôde ver, o fato de eu ter achado o livro repetitivo, cansativo, pode até ser uma intenção do autor, diante da história contada naquelas páginas. Talvez eu não tenha gostado porque não era o tipo de leitura que eu procurava naquele momento. Pode ser que eu resolva dar uma nova chance ao "Leite derramado" em outra ocasião, afinal, já li outros livros do Chico e não tive esse problema. Por enquanto, ele está na minha estante, aguardando uma próxima oportunidade, e eu, enquanto isso, compenso minhas doses de Chico com muita música.




Teste de paciência


A paciência é algo importantíssimo na vida, eu sei. Especialmente porque há muitas situações em que não há outra alternativa que não seja ser paciente. Parece fácil de entender, mas não é tão fácil colocar isso em prática, principalmente no cotidiano das grandes cidades. Basta sair de casa para ter a certeza de que vários testes de paciência te esperam.

Vou compartilhar com vocês um dos meus testes de ontem. Marquei uma consulta médica para as 15 horas e cheguei ao hospital com alguns minutos de antecedência. A recepcionista me desejou "boa tarde" e já emendou: "O médico está atrasado. Temos 10 pacientes na sua frente". Sinceramente, o uso da palavra "paciente" não poderia ser usado em melhor ocasião.

Me juntei aos pacientes e fiz o que geralmente faço nessas situações: abrir a bolsa à procura de um livro. Mas, justamente dessa vez, não havia livro, nem mesmo uma revista. E agora? O que eu poderia fazer para amenizar aquela espera? Conversar com outros pacientes era uma opção, mas também não era fácil. Tosses, espirros, crianças chorando, crises alérgicas... realmente não era o melhor ambiente para conversar com alguém.

De repente, ligaram a televisão. Estava começando a Sessão da Tarde que, naquele dia, exibia "Como perder um homem em 10 dias". Resolvi dar uma chance àquele filme (que eu ainda não havia assistido) e fiz dele o meu entretenimento durante as horas que passei na recepção do hospital, à espera da consulta. Sim, eu assisti o filme inteirinho ali, sentada na recepção, e mesmo depois do "happy end", o médico ainda demorou 30 minutos para me atender.

É um filme engraçado, uma comédia romântica bem escrita, com dois protagonistas lindos (Kate Hudson e Matthew McConaughey). Além de tudo isso, a Kate Hudson ainda interpreta uma jornalista (Andie Anderson). Certamente não é o melhor filme do mundo mas, naquela tarde, diante dos percalços e restritas possibilidades, o filme açucarou as minhas horas de espera e deixou o meu teste de paciência mais leve.