terça-feira, 19 de junho de 2012

Chico e o livro que eu não terminei de ler.


Ontem foi aniversário de Chico Buarque, grande nome da música e da literatura brasileira. Como artista, Chico falou das mulheres, do amor, mas também usou suas obras para falar da realidade social e política do Brasil. Cresci ouvindo Chico, um dos músicos preferidos da minha mãe. Mais tarde, veio a vontade de conhecer também o "Chico escritor".

Não é novidade para ninguém que as obras literárias de Chico Buarque provocam controvérsias. Uns amam, outros odeiam. E, apesar de me considerar fã do Chico, vou confessar a vocês uma decepção que tive ano passado. Estava doida para ler "Leite derramado", a obra mais recente dele, e fiquei super feliz quando ganhei o livro. Comecei a ler praticamente na mesma hora.

Li as primeiras páginas e não gostei do que encontrei. Achei repetitivo e a história não me prendeu. Insistente, resolvi dar mais uma chance à obra, afinal, ela havia acabado de ganhar um Prêmio Jabuti e isso não deveria ser à tôa. Já havia lido metade do livro quando tomei uma decisão que não é do meu agrado: resolvi deixá-lo de lado. Quando começo a ler um livro, gosto de ir até o fim, mas não foi assim com "Leite derramado". Preferi não forçar a barra.

A professora Leyla Perrone-Moisés descreveu o livro assim:

Um homem muito velho está num leito de hospital. Membro de uma tradicional família brasileira, ele desfia, num monólogo dirigido à filha, às enfermeiras e a quem quiser ouvir, a história de sua linhagem desde os ancestrais portugueses, passando por um barão do Império, um senador da Primeira República, até o tataraneto, garotão do Rio de Janeiro atual. Uma saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos dois séculos. A visão que o autor nos oferece da sociedade brasileira é extremamente pessimista: compadrios, preconceitos de classe e de raça, machismo, oportunismo, corrupção, destruição da natureza, delinquência.

A saga familiar marcada pela decadência é um gênero consagrado no romance ocidental moderno. A primeira originalidade deste livro, com relação ao gênero, é sua brevidade. As sagas familiares são geralmente espraiadas em vários volumes; aqui, ela se concentra em 200 páginas. Outra originalidade é sua estrutura narrativa. A ordem lógica e cronológica habitual do gênero é embaralhada, por se tratar de uma memória desfalecente, repetitiva mas contraditória, obsessiva mas esburacada.
Como você pôde ver, o fato de eu ter achado o livro repetitivo, cansativo, pode até ser uma intenção do autor, diante da história contada naquelas páginas. Talvez eu não tenha gostado porque não era o tipo de leitura que eu procurava naquele momento. Pode ser que eu resolva dar uma nova chance ao "Leite derramado" em outra ocasião, afinal, já li outros livros do Chico e não tive esse problema. Por enquanto, ele está na minha estante, aguardando uma próxima oportunidade, e eu, enquanto isso, compenso minhas doses de Chico com muita música.




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