terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Muito além do que se vê


Um dia desses, marquei encontro com uma amiga em um restaurante. Logo que cheguei ao local, ela me ligou, dizendo que atrasaria, pelo menos, 30 minutos. Escolhi a mesa, pedi um suco e aproveitei o tempo para ler uma revista que carregava comigo. Já estava envolvida na leitura quando o garçom trouxe o suco e, por alguns segundos, tirei os olhos da revista. Foi nesse momento que uma cena chamou minha atenção.

Na mesa ao lado, havia um jovem casal, que chegou ao restaurante pouco depois de mim. Os dois não tinham mais que 25 anos. Como estavam bem próximos a minha mesa, pude notar que não trocaram uma palavra desde o momento em que sentaram-se. Ele estava absorvido pelo aparelho celular e ela também. Mexiam os dedos rapidamente e, volta e meia, soltavam algumas risadas. Cada um deles parecia estar em um mundo diferente e ignorava tudo o que estava ao redor, inclusive o outro.

Quando o garçom se aproximou da mesa onde eles estavam e serviu a janta, os dois rapidamente tiraram algumas fotos dos pratos. Depois deixaram os celulares de lado e começaram a comer. Após algumas garfadas, a moça comentou com o homem: “Meu bem, não esqueça de me marcar na sua foto”. Ele respondeu: “Já marquei e postei”, e olhou rapidamente o celular. Depois completou: “Dez pessoas já curtiram nossa foto”. As pessoas certamente curtiriam a foto, mas eles estavam curtindo o momento?

Assim que terminaram de jantar, os dois rapidamente voltaram suas atenções para os celulares e não conversaram mais. Eu olhava tudo aquilo com atenção, pensando em muitas e muitas coisas. Eis que minha amiga chegou ao local e começamos a colocar o assunto em dia. Eu, vez ou outra, olhava para a mesa ao lado e a situação continuava a mesma. Cada qual com seu aparelho, alheios a tudo o que acontecia ao seu redor.

De repente, levantaram-se, deram as mãos e foram embora. Olhei o relógio e me surpreendi: os dois haviam passado quase duas horas no restaurante e praticamente não conversaram. Percebendo que meu pensamento não estava ali naquele momento, minha amiga questionou o que havia acontecido. Eu contei a ela a cena que presenciei e começamos a conversar a respeito dos efeitos da tecnologia nos relacionamentos.

Nunca achei que a internet e toda a tecnologia que temos hoje sejam prejudiciais aos relacionamentos. Não acho que a tecnologia afaste as pessoas, pelo contrário! Mas tudo depende do uso que fazemos dela. Muitas vezes, deixamos que a tecnologia dirija nossa vida, nossas ações, pensamentos e relacionamentos. É bom ter amigos no Facebook e compartilhar com eles nossos momentos e opiniões, mas também é fundamental estar face a face com os amigos, sentir a presença marcante deles em nossas vidas.

O mesmo vale para os relacionamentos amorosos. Dia desses fui surpreendida pela separação de um casal de amigos. Digo que fui surpreendida porque não passava pela minha cabeça que eles pudessem viver algum desentendimento. A impressão que eu tinha daquele casal estava amparada no que via no Facebook. Estavam sempre fazendo mil declarações, postando fotos felizes e músicas românticas. Mas como estava de fato o relacionamento?

Depois de um tempo, tive a oportunidade de conversar com ambos e constatar o que já imaginava: o relacionamento não ia bem e já fazia algum tempo. Então decidi questioná-los a respeito das declarações de amor e de toda aquela felicidade estampada na timeline. Ouvi a mesma resposta dos dois: aquela não era a realidade, era apenas uma forma de mostrar para eles, e especialmente para os outros, que tudo estava bem, que a vida era festa, amor e felicidade. Era aparência, apenas aparência.



Um comentário:

  1. Momento introspecção Larissa... boa reflexão mana!! Abraço
    Ricardo (Lrv)

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