sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Dica de leitura: O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman

Já não me lembro qual foi a primeira vez que ouvi falar de Neil Gaiman, mas tenho certeza de que, assim como muitas pessoas, o conheci por causa de Sandman, sua famosa série em quadrinhos. Mas, desta vez, o assunto é o lado romancista desse inglês, que em 2013 publicou O oceano no fim do caminho, um livro que me surpreendeu.




Antes de qualquer coisa, O oceano no fim do caminho é um livro sobre lembranças e carrega consigo uma senhora dose de melancolia. As memórias relatadas na obra pertencem a um homem que tem a oportunidade de retornar ao local onde passou parte de sua infância, no interior da Inglaterra. Esse retorno, motivado por um falecimento, traz à tona cenas de um passado que permanece vivo em sua memória.

Em muitas de suas lembranças está Lettie Hempstock, uma garota corajosa que ele conheceu quando criança e com quem teve a alegria de compartilhar grandes aventuras, especialmente na fazenda da família dela. As situações vividas pelos dois são repletas de fantasia, com direito a criaturas perigosas que vivem nos limites do bosque, artimanhas para fugir de uma governanta perigosa, pessoas com poderes especiais e brincadeiras no lago da fazenda, que Lettie chamava de oceano.

Ao contar histórias que misturam realidade e fantasia, Neil Gaiman faz uma exaltação à infância e ao poder libertador que ela tem, o que pode ser percebido em alguns trechos do livro.





O narrador nos envolve nas histórias de sua infância e, aos poucos, vamos conhecendo a criança que um dia ele foi. Um dos fatores marcantes em sua vida é a influência dos livros, tidos como seus grandes companheiros e que muito aguçaram sua imaginação. Em um trecho ele diz: "Desde pequeno eu sempre pegava ideias emprestadas dos livros. Eles me ensinaram quase tudo o que eu sabia sobre o que as pessoas faziam, sobre como me comportar. Eram meus professores e meus conselheiros. Nos livros, os garotos subiam em árvores, então eu subia em árvores, às vezes muito altas, sempre com medo de cair". 

E dessa forma conhecemos os caminhos e aventuras do narrador e sua amiga Lettie, desde o momento em que se conhecem até o dia da separação. Quarenta anos depois, ao contemplar o lago que a amiga chamava de oceano, ele reconhece que todas as histórias vividas ali deixaram marcas eternas. Então se dá conta de que aquilo que ele sentia não era saudade da infância, era saudade de encontrar prazer nas pequenas coisas da vida e, com elas, se sentir satisfeito, preenchido.

O oceano no fim do caminho é uma obra envolvente, com doses de aventura e fantasia. Um de seus pontos positivos é o texto leve, que proporciona uma agradável experiência de leitura. Vale a pena conhecer!

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