sábado, 14 de março de 2015

Nocaute, cinco histórias de boxe - Jack London


Recentemente comecei a treinar kickboxing. Até então, não havia praticado nenhuma modalidade de luta e, sinceramente, pensava que era algo incompatível com a minha pessoa. Mas resolvi dar uma chance e o resultado foi melhor do que eu esperava. Simplesmente estou adorando as aulas! E para conhecer mais a respeito dessa e de outras modalidades de luta, fiz algumas pesquisas.

Nesse processo de pesquisa, cheguei a um ponto que muito me interessou: livros e filmes com temática relacionada à prática de lutas e artes marciais. No campo da literatura, um dos autores que "de cara" chamou minha atenção foi o norte-americano Jack London, de quem eu ainda não havia lido nenhuma obra. 

London, que na verdade se chamava John Griffith Chaney, era um apaixonado por boxe e escreveu algumas histórias que fazem referência ao esporte. O livro "Nocaute", publicado pela editora Benvirá, reúne cinco contos que foram publicados na década de 1920, em revistas norte-americanas. São eles: O bife, O jogo, A fera do abismo, O mexicano e O benefício da dúvida.

O livro Nocaute tem ilustrações do brasileiro Kako. Esta se refere ao conto O bife.


O conto é um gênero literário que muito aprecio e sobre o qual pretendo escrever mais vezes neste blog. No caso dos contos apresentados no livro "Nocaute", chamou minha atenção a detalhada descrição das cenas, dos personagens e, como não poderia ser diferente, dos momentos que se passam dentro do ringue. Nesses momentos, o boxe é apresentado também como uma perfeita metáfora da vida, que exige força, estratégia, habilidade e atenção para superar os obstáculos que se apresentam ao lutador.

Dos cinco contos, um dos que mais me impressionou foi O bife, que conta a história de um lutador australiano chamado Tom King. Depois de anos dedicados ao esporte, com uma série de vitórias no currículo, Tom sente o peso da idade e precisa aceitar que sua carreira está em decadência. Além disso, ele também carrega consigo as aflições de marido, pai de dois filhos, que precisa dar conta das necessidades de sua família.

Diante das dificuldades financeiras, que limitam as ambições da família e impedem Tom de comer até mesmo o bife desejado, ele se aventura em uma luta com o jovem neozelandês Sandel. A vitória pode representar dias de alívio, com o pagamento das contas atrasadas e comida na mesa. Mesmo ciente de que não havia treinado o bastante e de que precisava se alimentar melhor, Tom sobe ao ringue com Sandel, numa luta que traz a ele importantes lições e que é descrita de forma primorosa.

É a luta do jovem contra o velho, do vigor físico contra o cansaço, da ansiedade contra a experiência. Nesse embate, Tom se dá conta da naturalidade de determinados acontecimentos da vida e lembra de quando, assim como Sandel, trazia consigo o vigor e disposição da juventude, que o auxiliava a nocautear os adversários.

Ao concluir a leitura de Nocaute, tive a certeza de que não haveria nome melhor para a obra. Me senti realmente nocauteada pelos exemplos de luta e perseverança dos heróis de London, tão destemidos e fortes diante de seus desafios, que incluem, entre outras coisas, a luta contra a corrupção (dentro e fora do boxe) e o engrandecimento da classe trabalhadora, tão presentes em histórias como A fera do abismo e O mexicano.

As histórias de London me incentivaram ainda mais a continuar a prática do kickboxing, como forma de melhorar minha atenção, resistência física e, dessa forma, ter também mais disposição para nocautear as dificuldades que aparecerem pelo caminho.



Capa do livro Nocaute, que reúne contos de Jack London.