segunda-feira, 11 de maio de 2015

1Q84 – Livro I: Conhecendo Tengo e Aomame


*Atenção! Este texto contém spoilers.

Minhas primeiras palavras após terminar a leitura do livro I da trilogia 1Q84 foram: “Esse japonês é brilhante e maluco demais!” O japonês em questão é Haruki Murakami, autor da obra, considerado um dos mais importantes escritores da literatura japonesa na atualidade.


Murakami: brilhante e maluco demais!


Quando iniciei a leitura, me perguntei algumas vezes: Onde isso vai parar? E confesso que tive boas surpresas no decorrer da obra. O livro I da trilogia é basicamente uma apresentação dos dois personagens principais: o professor Tengo e a instrutora de artes marciais Aomame. As histórias de ambos se passam no Japão, em 1984.

Aos poucos vamos conhecendo os protagonistas por meio de capítulos intercalados: um capítulo sobre Aomame, outro capítulo sobre Tengo e assim sucessivamente. Nessa estrutura, somos apresentados a duas histórias inicialmente paralelas, que não apresentam relação uma com a outra.

Tengo é um professor de Matemática apaixonado por literatura e pela arte de escrever. Por conta disso, ele já havia participado de alguns concursos literários. Em um desses concursos, conheceu Komatsu, que havia feito carreira como editor de revistas literárias e demonstrara grande interesse pelo que Tengo escrevia.

Certo dia, Komatsu marca um encontro com o professor e faz uma proposta a ele. Ao analisar textos recebidos para um concurso literário da revista da qual era editor, Komatsu foi surpreendido por uma obra com história nada convencional. Chamado “Crisálida de ar”, o texto se tornava ainda mais interessante por ter sido escrito por Fukaeri, uma misteriosa garota de apenas 17 anos, que deixa Tengo encantado por sua beleza e simplicidade.

Mas a obra, por mais intrigante que parecesse, apresentava muitas imperfeições, inclusive no aspecto gramatical. Para colocar seu plano em ação, Komatsu precisava de Tengo e suas habilidades com a escrita. Por isso, o professor foi convidado pelo amigo editor a reescrever a história, sem alterar seu enredo e toda a originalidade da jovem Fukaeri.

“Crisálida de ar” conta a história “de uma garota de dez anos que vivia numa comuna atípica em meio às montanhas e que cuidava de uma cabra cega. Todas as crianças tinham uma tarefa e a dela era a de cuidar dessa cabra. A criatura, apesar de velha, tinha um significado muito especial para a comunidade e, por isso, era necessário vigiá-la para que não fosse levada por ninguém” (p. 106). Mas um dia a menina se distrai e a cabra morre. Como punição, ela deve ficar dez dias presa num depósito junto com a cabra morta.
“A cabra servia de passagem entre o mundo de cá e o mundo do Povo Pequenino. Ela não sabia se aqueles homens pequeninos eram bons ou maus. (...) Durante a noite, eles vinham para o mundo de cá através do corpo da cabra morta. E, ao amanhecer, voltavam para o mundo de lá. A garota conseguia falar com esses seres pequeninos”. (p. 106)

Mais do que garantir a participação da obra em um concurso de pequena expressão, Komatsu deseja vê-la vencedora de premiações relevantes, como a Akutagawa. Seu objetivo, como ele mesmo descreve em um trecho do livro, é ridicularizar as premiações de literatura.

Para que o plano possa se concretizar, Komatsu conta com o apoio de Tengo, que decide reescrever o texto, assim como da própria Fukaeri e seu tutor, o professor Ebisuno, que concordam com a proposta do editor. Em recompensa, os participantes do plano receberão vultosas quantias referentes à venda de “Crisálida de ar”, que, segundo Komatsu, promete ser um fenômeno da literatura japonesa.

Enquanto isso, 1Q84 narra também a história de Aomame, uma instrutora de artes marciais que desempenha uma função secreta: eliminar homens responsáveis por casos de violência doméstica.


Trilogia 1Q84


As histórias de Tengo e Aomame se conectam quando a instrutora começa a investigar um caso relacionado a uma pequena comunidade chamada Sakigake, da qual o pai de Fukaeri (a autora de Crisálida de ar) era líder. De origem agrícola, Sakigake tornou-se um grupo religioso legalmente estabelecido, que acabou dividindo-se em dois outros grupos: uma facção em prol da luta armada e outra facção contrária.

Indico muito a leitura de 1Q84. Estou animada para conhecer mais desse universo e, a partir da leitura dos próximos livros da trilogia, compreender o que significa esse Povo Pequenino, qual sua relação com Sakigake, onde estão os pais de Fukaeri e como as histórias de Tengo e Aomame irão se aproximar cada vez mais. 

Essa história envolvente mostra o inegável potencial literário e imaginário do seu escritor, um cara que, certamente, irá nos surpreender ainda mais com suas histórias repletas de reviravoltas. 

Obs.: O nome 1Q84 faz referência a 1984, ano em que os fatos ocorrem e título da famosa obra do escritor George Orwell, que serviu de inspiração para Murakami e também é citado na trilogia do japonês. Assim que eu concluir a leitura da trilogia, pretendo analisar mais profundamente a influência do romance distópico de Orwell sobre essa obra de Haruki Murakami.



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