segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Educação salva!


O nome deste texto é inspirado em um pensamento que me acompanha e que estava ainda mais forte no momento em que deixei a sala de cinema após assistir "Tudo que aprendemos juntos". O filme, que está em exibição pelo país desde o dia 03 de dezembro, cumpre o importante papel de utilizar a arte para provocar importantes reflexões. As situações retratadas na tela mostram uma realidade que todos nós precisamos ver.

Lázaro Ramos interpreta Laerte, um violinista que enfrenta uma situação de crise (interior e financeira) após ser reprovado em um exame para tocar na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Por necessidade, ele decide aceitar o desafio de ensinar música para jovens de uma escola da periferia. 


Imagem: Tudo que aprendemos juntos (divulgação)

Inserido naquela realidade, Laerte não vê muitas perspectivas de mudança para seus alunos. Em vários momentos, eles se mostram arredios, sem controle e responsáveis por comportamentos reprováveis. As situações vividas por Laerte na escola simbolizam as condições de professores e instituições de ensino espalhadas por todo o Brasil. Diante da falta de estrutura e do próprio contexto social dos jovens, o professor se torna uma figura impotente, tal qual alguém que nada contra a corrente.

"Tudo que aprendemos juntos" é baseado na peça de teatro "Acorda Brasil", escrita pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes. Para escrever a peça, ele se inspirou na história do Instituto Baccarelli, organização social sem fins lucrativos que desde 1996 oferece formação musical e artística para crianças e jovens de Heliópolis, em São Paulo.

No caso de "Tudo que aprendemos juntos", a música é a grande protagonista, uma arma de transformação social que acende nos alunos a esperança de novos dias. Essa esperança é o que move o jovem Samuel, um dos alunos que se destacam no grupo ensinado por Laerte. Para se dedicar à música, ele precisa enfrentar uma série de dificuldades, desde a aceitação da família, que deseja que ele trabalhe para auxiliar financeiramente a casa, até escapar das opções perigosas (e criminosas) que estão ao alcance dele.

Criar boas opções é o caminho. Essa é a mensagem do filme dirigido por Sérgio Machado. Crianças e jovens, especialmente aqueles que residem nas periferias brasileiras, precisam de opções que representem esperança em suas vidas. Essa esperança pode vir da música, de tantas outras formas de arte, do esporte, etc, etc, etc. Mas a melhor maneira de resumir tudo isso se chama educação. Educação salva!

É esse o sentimento que nos abraça e transborda ao assistir "Tudo que aprendemos juntos". Diante disso, outras questões são apenas a cereja do bolo: a bela fotografia, as atuações repletas de sentimento e a trilha sonora que arrepia ao unir o clássico à batida urbana do rap. Ao lado de mestres como Bach e Guerra-Peixe, as rimas de Criolo e Sabotage dão voz a um povo que, cansado de ser coadjuvante, quer (e precisa) ser protagonista.







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